Caio fala por mim! Era só isso que eu queria mesmo. Mas não sei se ainda quero. Estive pensando,sentir não dá certo pra mim. Sentir amor,dor,paixão,tesão,amizade,não sei,não dão certo. Enquanto eu estou fechada,dura e fria, as coisas andam. Mas quando eu decido me doar mesmo,ser quem eu realmente sou as coisas desandam,vão pra trás,retrocedem. Julgam tanto isso de 'brincar com as pessoas'. Ah,minha mãe vivia me falando, 'Karine, não se brinca com as pessoas. Quando for com você,você não vai gostar'. E agora eu respondo pra ela,embasada em minhas experiências: 'mãe, se eu não for rude e dura com as pessoas,elas vão ser comigo; e sinto muito,eu não gosto de me magoar'. Eu estava assim há um tempo. Desacreditada,a palavra é essa. Sem acreditar no que as pessoas falavam,diziam sentir. E aí eu decidi mudar,sabe? Dar uma chance. E cheguei a mesma conclusão de antes: as pessoas não estão nem aí. Só pensam em si,e no que é bom pra elas. Fim. Quem tá por perto? Deu azar. E decidi que voltar pro meu casulo é a melhor saída. Que era de lá que eu não deveria ter saído nunca, e é pra lá que eu volto,sozinha,mais triste do que nunca, e sem coração. Porque na verdade,eu nunca o tive.
domingo, 14 de novembro de 2010
"Sinto-me terrivelmente vazio. Há pouco estive chorando, sem saber exatamente por quê. Ás vezes odeio esta vida, estas paredes, essas caminhadas de casa para a aula, da aula para casa, esses diálogos vazios, odeio até este diário, que não existiria se eu não me sentisse tão só. O que eu queria era alguém que me recolhesse como um menino desorientado numa noite de tempestade, me colocasse numa cama quente e fofa, me desse um chá de laranjeira e me contasse uma história. Uma história longa sobre um menino só e triste que achou, uma vez, durante uma noite de tempestade, alguém que cuidasse dele." CFA.
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